Como ser um hóspede perfeito

Até o ano passado eu era o amigo louco que estava vindo para o Canadá e, de repente, eu passei a ser o amigo que todo mundo quer visitar – aposto que muita gente que veio pra cá já passou um dia por isso.

Agora que já estou estabilizado e com a casa pronta, já começam a surgir convites de toda parte para hospedagem free. Pensando nisso, eu resolvi colocar aqui algumas dicas, tiradas do Lifehacker, aos futuros candidatos a hóspede aqui em casa.

Acima de tudo, comunique-se

Os piores hóspedes, tirando aqueles que quebram as porcelanas finas e fogem com nossas filhas adolescentes, são de longe os mau comunicadores. Você é um hóspede na casa de alguém e mesmo que seja o mais bem-vindo de todos, você ainda será uma ruptura na rotina e agenda de seus anfitriões. Uma boa comunicação pode minimizar esta ruptura e suavizar qualquer tensão, mesmo pequena, ainda antes mesmo de acontecer.

Atualize seu anfitrião com a sua programação e procure saber a dele

Tão logo você saiba sua programação, compartilhe-a com seu anfitrião. Isso vai ajudá-lo a planejar as refeições, reorganizar a agenda pessoal e agendar algum tempo para passar com você.

Pergunte sobre a agenda dele, isto vai te ajudar muito a ser um hóspede melhor. Alem disso, ao saber sua programação com antecedência, você terá uma boa idéia de como será sua visita logo apos a chegada.

Informe antecipadamente sobre alergias, dietas especiais ou caprichos pessoais

Se você é mortalmente alérgico a algum alimento – amendoim, mariscos, etc., avise a seu anfitrião bem antes de sua chegada. Regimes especiais pode ser um assunto complicado a ser tratado e cabe a você julgar quão inconveniente pode ser para seu anfitrião seguir suas diretrizes. Além do mais, pedir a um amigo que inclua um prato vegetariano em cada refeição é melhor do que impor a ele suas regras alimentares.

Se informe das rotinas domesticas

Seu objetivo é causar o menor distúrbio possível. Procure saber os horários de dormir e acordar, bem como outras rotinas domésticas.

Esteja preparado para sua visita

Um hóspede despreparado é um tremendo encosto. Não é legal esperar que seu anfitrião planeje toda a sua viagem (diversão, itinerários) nem que te forneça todos os itens de higiene pessoal. Sendo assim, planeje-se com antecedência e assegure-se de trazer tudo o que você for precisar.

Você não está hospedado num hotel

Parte do luxo de se hospedar num hotel é pagar para ser atendido. Os funcionários do hotel existem para cuidar de você, para responder todas as suas perguntas, fazer sua cama, cuidar de suas coisas e ganhar a sua lealdade. Quando você está se hospedando na casa de um amigo, um parente ou um amigo do amigo de um amigo, você é quem está competindo pela lealdade deles. Você vai querer ser um ótimo hóspede para ser sempre bem-vindo.

Seja organizado: Arrume sua cama toda manhã, arrume seu quarto, guarde suas roupas, lave e enxugue seus pratos, não deixe seus itens de higiene pessoal espalhados pelo banheiro, esteja sempre disposto a ajudar.

Ajude nas despesas: Hospedar alguém, freqüentemente implica em comprar comida extra que normalmente você não compra, visitar pontos turísticos que você normalmente não visita e outras despesas. Enquanto muitos anfitriões ficam felizes em fazer estas despesas para passar algum tempo com você, isto não quer dizer que não exista um custo em hospedar alguém.

É legal fazer um esforço para recompensar, de alguma maneira, seu anfitrião. Considere fazer uma feira para repor tudo aquilo que você consumiu. Se o seu anfitrião não aceitar que você faça a feira ou que pague pelo que consumiu, você ainda tem duas opções: você pode enviar o dinheiro adiantado e explicar numa carta que o dinheiro deve ser usado para cobrir os custos de sua hospedagem ou você pode deixar um dinheiro com uma carta de agradecimento pela hospedagem.

Recompense seu anfitrião com um presente ou um convite para jantar: Se você tem absoluta certeza que o seu anfitrião vai se opor a receber qualquer tipo de dinheiro você pode convidá-lo a jantar ou dá-lo um presente.

Envie um bilhete de agradecimento. Quando chegar em casa, mande um bilhete agradecendo a hospitalidade. Realce uma ou duas coisas que você apreciou durante a estadia e, se possível, inclua algumas fotos de momentos juntos.

Este post é uma tradução descarada e resumida de Be a Perfect Guest in the 21st Century, mas tá valendo pra todo mundo que vier aqui pra casa.

17
Aug 2010
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Procurando emprego no Canadá

Bom, hoje eu vou comentar um pouco da minha saga para procurar emprego aqui no Canadá. Mas primeiro é preciso falar sobre meu background profissional. Eu sou bacharel em Ciência da Computação e tenho mais de 10 anos de experiência em TI. Nestes 10 anos, tive dois empregos como funcionário público – trabalhando na área, e 11 meses trabalhando na iniciativa privada entre um emprego público e outro. No Brasil, graças a Deus, nunca precisei procurar emprego, nunca precisei enviar currículo e nunca fiz entrevista de emprego – vantagens de fazer concurso público: passou, tomou posse, trabalhou, simples assim.

E de repente eu chego no Canadá sem ser fluente nem em francês nem em inglês, sem conhecer ninguém, sem referências e sem conhecer as regras do jogo. A única certeza que eu tinha é que eu iria conseguir um bom emprego e não ia demorar muito.

Bom, e o que eu fiz? A primeira coisa foi conhecer as regras do jogo.

Conhecendo as regras do jogo

Procurar emprego não foi a primeira coisa que fiz quando cheguei em Montréal. No começo eu fui direto para um curso de francês na ILSC para dar uma melhorada no idioma. Apesar de ter estudado francês durante 3 anos na AF de Brasília, a impressão que eu tinha, no começo, era de que eu não sabia falar francês – eu demorei uns 15 dias para adaptar o ouvido com o francês falado aqui. Imagina fazer uma entrevista de emprego com um francês tupiniquin?

Roulette

Jogar roleta é mais fácil que procurar emprego, acredite...

Eu estudava francês durante a manhã e no período da tarde eu ficava horas e horas acessando sites de emprego para ver as ofertas na minha área. Basicamente eu tinha 4 sites abertos ao mesmo tempo, o tempo todo: www.emploiquebec.net, www.monster.ca, www.jobboom.ca, www.workopolis.com. Nestes sites, além de anúncios de emprego, existem também várias dicas para você fazer o currículo e as cover letters, assim como para a entrevista de emprego.

Paralelo a isto, eu comecei a fazer um curso promovido pelo MICC, e ministrado por uma ONG chamada L’Hirondelle, sobre o mercado de trabalho Québécois. Este curso apresenta uma excelente abordagem sobre o mercado de trabalho: aspectos históricos, dia-a-dia numa empresa, tipos de empresas do Québec, estratégias para procurar emprego, fazer currículos e ter sucesso nas entrevistas.

Uma das coisas mais importantes que aprendi foram as etapas (e seus respectivos objetivos) do processo de contratação local: Cover letter -> CV -> Entrevista -> Contratação, que eu explico agora:

  1. Ao postular para uma vaga de emprego você tem que enviar uma cover letter (corpo do email) e o CV (anexo). O objetivo da cover letter é fazer com que o seu CV seja lido pelo responsável do processo de recrutamento da empresa.
  2. Se a sua cover letter for convincente, o seu CV será lido. Um bom CV, condizente com a vaga, irá qualificá-lo para uma entrevista.
  3. O objetivo da entrevista é convencer o recrutador que você é o candidato ideal para aquela vaga. Durante a entrevista você será avaliado tecnicamente e pessoalmente, e questões como aspiração salarial podem surgir também. Para a área de TI, é comum que o candidato faça um teste de conhecimentos específicos, podendo ser teórico e/ou prático. O objetivo desta etapa é fazer com que a empresa te faça uma oferta de emprego.
  4. Uma vez que a oferta tenha sido feita, o próximo passo será a negociação salarial. Muito importante nesta hora é ter uma boa noção do piso salarial para o cargo pretendido. Nesta hora muita gente esquece que uma carga tributária será incidida sobre o salário. Para ter uma idéia de quanto vai ser o salário líquido, deduza 30% do salário bruto.

Experiência Canadense, Experiência Norte Americana

Como o próprio nome já diz, é experiência de trabalho no Canadá ou até mesmo nos Estados Unidos. Difícil, ou quase impossível, que algum recém chegado tenha esta dita experiência canadense. Mais importante do que ter experiência de trabalho aqui, é ter experiência pertinente na área. Se você é qualificado para a vaga, argumente que mesmo não tendo trabalhado no Canadá, você tem experiência na área e que o trabalho aqui é igual em qualquer lugar do mundo (isto é bem válido para a área de TI, outras áreas eu desconheço).

E pra que serve a experiência canadense? Basicamente, serve como referência tanto profissional como pessoal (caráter).

Busca ativa de emprego

Procurar emprego é uma atividade que demanda muito tempo, dedicação e, principalmente, determinação. Tempo para estudar o mercado de trabalho, para procurar as melhores vagas e para se preparar. Mas procurar emprego não é só mandar um email com o CV e ficar esperando, você tem que ser pró-ativo. Abaixo eu listo algumas dicas para você ter sucesso na sua busca por emprego:

  1. Descobrir o nome, telefone e email da pessoa que você irá encaminhar o seu CV;
  2. Fazer um follow up logo após enviar um currículo. Isso vai mostrar que você está realmente interessado na vaga e vai chamar a atenção para que o recrutador ao menos leia a sua cover letter;
  3. Estar sempre estudando para o caso de precisar fazer um teste;
  4. Estar disponível e preparado para uma possível entrevista logo pela manhã, por volta das 9h;
  5. Fazer o seu network.

Fazendo um network (réseautage)

80% das vagas de emprego não são publicadas em lugar nenhum e são preenchidas por indicação, pelo famoso boca-a-boca. Alguém sabe de uma vaga ai passa a informação para outro que conhece alguém… e por aí vai. Uma vaga de emprego só é publicada em último caso, depois de já ter passado por todo este processo. Ter contatos, ter um network, ajuda pra caramba.

Uma boa maneira para começar um network é fazer serviço voluntário. Embora isto não seja uma atividade muito comum no Brasil e muita gente, assim como eu, não tem (tinha) hábito de fazer este tipo de serviço, aqui é uma atividade bastante apreciada. É uma ótima oportunidade para conhecer pessoas, para se sentir útil, para te dar referências pessoais ou profissionais, para mostrar que você está ocupando seu tempo com alguma atividade enquanto procura emprego. Isto conta muito ponto no currículo.

Eu fiz trabalho voluntário durante 6 meses e foi uma experiência bastante enriquecedora, mas uma coisa que me ajudou bastante aqui foi participar de um projeto chamado Mentorat. Este projeto consiste em promover encontros com uma pessoa da mesma área que irá te orientar em vários aspectos na busca de emprego. Se você tiver sorte, o seu mentor pode te passar alguns contatos ou até mesmo te indicar para uma vaga na empresa em que trabalhe.

Explore redes sociais

Twitter, Facebook, LinkedIn… O que tem de anúncio de vagas de emprego nestas redes sociais não tá escrito. Já experimentou fazer uma busca no Twitter?

Voltando à minha história

Voltando à minha história, eu devo ter enviado, ao todo, uns 50 currículos. Fui chamado para umas 7 entrevistas e recebi 4 ofertas de emprego. Uma descartei logo de cara devido ao baixíssimo salário ofertado. Recebi outras 2 propostas de emprego na mesma semana e acabei aceitando a que oferecia o melhor salário, os melhores benefícios e que tinha o melhor potencial para desenvolver minha carreira. Já empregado, recebi outra oferta, de uma empresa que tinha feito entrevista 2 meses antes.

E como eu consegui o meu atual emprego? No twitter. Fiz uma busca por “java+montréal” e vi a vaga. Mandei meu CV e uma hora depois liguei para fazer o follow up. Na mesma hora já fiz uma entrevista por telefone. No dia seguinte, fiz uma segunda entrevista por telefone e, em seguida, fui convidado a fazer uma entrevista e um teste de conhecimentos específicos na empresa. Em seguida fiz as duas últimas entrevistas: uma com meu atual chefe e outra com um dos diretores da empresa. Este processo durou mais ou menos um mês, e deu certo.

Você vai conseguir seu lugar aqui

Tenho certeza que uma das razões que motivam alguém a vir tentar a vida no Canadá é ter um emprego melhor. Eu tinha um bom emprego no Brasil e tracei como meta ter um emprego melhor ainda aqui. Era nisso em que eu estava focado e foi onde coloquei todos os meus esforços. Fui recompensado.

I'm loving it

Fala sério, foi pra isso que você deixou o Brasil?

Eu acho válido ter um subemprego se isto for uma solução temporária para a falta de grana. Dificilmente um subemprego vai acrescentar algum valor ao CV de uma pessoa, pelo contrário, pode até atrapalhar caso alguém passe muito tempo neste tipo de emprego.

Tenha certeza de uma coisa: se você é competente, tem experiência e está preparado, você vai conseguir o emprego que você quiser aqui no Canadá. Pode demorar um tempo, mas você vai chegar exatamente aonde quiser. A pergunta que eu deixo no ar é: Aonde você quer chegar?

14
Aug 2010
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Imigrar pra Austrália, Canadá ou voltar pro Brasil?

Outro dia, mandaram para uma das listas de imigrante de que faço parte, o link de um blog de brasileiros. No blog, um post contava a narrativa do Gilberto, imigrante brasileiro aqui no Canadá, que pensou em voltar para o Brasil.

Northern Lights

Boas histórias neste blog...

Li o post e, como achei interessante, comecei a ler outros posts do blog. Foi aí que descobri que antes de ter vindo para o Canadá, o Gilberto tinha morado na Austrália.

Ele fez um paralelo, com critérios irreverentes, entre Austrália e Canadá e pode ajudar a quem pensa em imigrar para um destes países a decidir entre um e outro.

Pra visitar o site dele basta clicar na imagem acima.

14
Aug 2010
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O que me levou a imigrar

Este post é, na verdade, a resposta a uma pergunta feita pelo meu amigo Herbert Trindade, no dia 10 de junho de 2010, que vocês podem conferir aqui: http://www.pedrosilva.com.br/blog/so-nao-imigra-quem-nao-quer/#comment-1161

Para quem não sabe Pedro ganhava bem aqui no Brasil, tinha um excelente emprego, goza de prestígio na instituição e trabalhava em uma área meio estratégica. O que fez você abrir mão de tantas conquistas? Você já conseguiu aí a mesma receita e qualidade de vida que tinha aqui?

Viajar para o exterior, conhecer outros países, rodar o mundo é um dos meus sonhos de criança. Eu não pensava, nem aceitava a idéia, que iria passar o resto da minha vida morando na mesma cidade — naquela época ainda morava no interior da Bahia, em Vitória da Conquista pra ser mais exato.

O tempo foi passando, mas sempre fiquei com esta idéia na cabeça. Quando adolescente, la no início da década de 90, eu via muita gente fazendo intercâmbio e pensava, taí uma boa oportunidade pra começar minhas andanças, mas a minha condição sócio econômica não me permitia.

No final da década de 90 e início dos anos 2000, já na faculdade, evolui a idéia de fazer intercâmbio para a idéia de imigrar e comecei a avaliar quais seriam as melhores opções. Cogitei Estados Unidos, Canadá, Austrália, Inglaterra e Irlanda — todos países anglophones, e de todos, o que mais me agradou foi o Canadá. Decidido o país que eu iria imigrar, eu tinha que criar as condições para colocar este projeto em prática: terminar a faculdade, trabalhar, juntar dinheiro e imigrar.

Encurtando a história, em 2006 eu comecei de fato meu projeto de imigração e em 2009 eu cheguei no Canadá, onde estou até hoje.

Mas, verdade seja dita, o que realmente me levou a imigrar foi a minha história de vida, foram as muitas dificuldades que enfrentei ao longo da minha caminhada; foi o desejo de ter uma vida melhor e de dar uma vida melhor aos meus filhos; foi a vontade de viver numa sociedade mais justa onde você é respeitado e reconhecido, onde você não se sinta roubado o tempo todo, onde você se sinta seguro, onde você possa simplesmente deixar a vida te levar e aproveitar o melhor de tudo, que é viver.

Realmente, no Brasil eu tinha um emprego público federal, trabalhava num setor estratégico, tinha um bom cargo, era bem relacionado e estava começando a ter visibilidade na empresa mas eu simplesmente não era feliz. Faltava sempre algo, e esta felicidade eu encontrei aqui. Não me arrependo de forma alguma de ter jogado tudo pro alto, de ter “chutado o pau da barraca”. Mesmo tendo sido muitas vezes chamado de louco, esta foi a decisão mais acertada que tomei na vida, posso garantir.

Se eu tenho a mesma qualidade de vida que eu tinha antes? Em um ano aqui, o meu padrão de vida está num patamar que nem nos 4 anos em que morei em Brasília eu consegui alcançar — isso tendo começado do zero aqui. Eu tenho muito mais tempo livre, tenho a possibilidade de fazer grandes projetos serem concretizados a curto e médio prazo e, sinceramente, não tenho 1/10 dos problemas e preocupações que tinha no Brasil.

Aqui não é um paraíso, mas viver aqui é bem mais fácil do que aí.

10
Aug 2010
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